quinta-feira, 21 de maio de 2009

Excesso de ruídos no trabalho pode provocar doenças

Um dos maiores problemas em locais de trabalho é a poluição sonora. O ruído é o grande vilão e pode atingir níveis de intensidade perigosos para a saúde e para a segurança dos trabalhadores. As fontes dos ruídos são as mais diversas, como máquinas e suas vibrações, inclusive tudo o que está ligado diretamente ao prazer dos seres humanos como esportes e hobbies, mas as metalúrgicas são os locais de trabalho mais atingidos pela poluição sonora devido as horas intensas de trabalho e barulho.

Esses ruídos podem interferir na vida dos trabalhadores e, caso não sejam tomadas providências necessárias, alguns problemas podem ocorrer a curto e longo prazo. Segundo Deise Guex, fonoaudióloga e coordenadora de Programas de Controle e Monitoramento audiológico nos PCAs – Programas de Controle Auditivo na indústria, os efeitos negativos da poluição sonora nos seres humanos vão desde zumbidos e recrutamento (sensibilidade a sons intensos) até a surdez, entre outros como dificuldade para entender a fala em ambientes ruidosos e/ou dificuldade para discriminar palavras (disability).

O uso do protetor auditivo é necessário para a precaução desses problemas comenta Felipe Vergara, engenheiro e professor do curso de Engenharia Acústica da UFSM, "O ser humano aguenta 85 dB (A) durante oito horas de exposição diária" e, "Portanto, é preciso o uso do abafador ou fones de ouvido em ambientes de trabalho onde ultrapassem esses decibéis". Vergara ainda comenta que, cada vez mais, o protetor auditivo se torna mais específico para cada tipo de profissão como, por exemplo, os músicos e os metalúrgicos: "É uma tendência para melhorias na precaução desses problemas de saúde".

No Brasil as doenças ocupacionais que alcançam maior destaque são DORT - Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (risco ergonômico) e PAINPSE - Perda Auditiva Induzida por Níveis de Pressão Sonora Elevados (risco físico), afirma Deise Guex. Um dos maiores problemas em relação aos ruídos é que não são devidamente notados em sua potencialidade lesiva e não são vistos como fatores de desencadeamento de doenças. Depois de instalada a perda auditiva não há reversão, portanto, a prevensão deve ser feita desde sempre.

Por Bruno Barichello, Carlos Eduardo dos Santos Flores, Luiz Otávio Prates

Laboratório Merck teria financiado falsa revista

A denúncia foi feita há algumas semanas pelo jornal The Australian. O jornal comprovou que cientistas, médicos e acadêmicos foram recrutados pela empresa farmacêutica para endossar artigos que atestam a segurança do Vioxx, um antiinflamatório produzido pela Merck. Lançado em 1999, o medicamento teve muito sucesso por ser eficiente e não causar problemas estomacais. No entanto, após várias denúncias de problemas cardíacos causados pelo seu uso, o produto foi retirado do mercado em 2004. A indústria responde processo por causa dos efeitos colaterais, e a denúncia de que um periódico destinado à promoção dos produtos da Merck veio à tona durante ele.

De acordo com a denúncia, a Merck, Sharp and Dohme Austrália (MSDA) teria patrocinado vários números de uma publicação da Exerpta Medica, uma subdivisão da gigante editorial Elsevier – a revista Australasian Journal of Bone and Joint Medicine. Sem indexação no Medline, a revista também não tem website. Atingida, a Elsevier admitiu que a revista era patrocinada pela MSDA, e que trata-se de uma " publicação complementar "que leva resumos e compilações de artigos publicados em outras revistas avaliadas por pares e publicadas pela editora, incluindo a respeitada revista Lancet.

A Elsevier admitiu também ter publicado entre 2000 e 2005 seis revistas patrocinadas por indústrias farmacêuticas que pareciam ser revistas avaliadas por pares, e afirma estar reexaminando suas publicações após as denúncias de irregularidades. No entanto, não divulgou os valores e nem quais as empresas farmacêuticas eram patrocinadoras.

O escândalo data de abril último e, desde então, nada foi divulgado pela imprensa brasileira.

As duas pontas de um giz

De um lado a estrutura do ensino privado, do outro a defasagem das escolas públicas

1Há anos atrás as escolas particulares eram alternativas para alunos que não conseguiam acompanhar as aulas das escolas públicas. Porém, este quadro se inverteu. A instituição privada oferece qualidade de ensino, reforço aos alunos com dificuldades, infra-estrutura, tanto física como a de materiais para professores e alunos desenvolverem melhor suas atividades curriculares, e, talvez o aspecto mais relevante, segurança.

Na outra ponta do giz, encontra-se a escola pública. Com todas as dificuldades estruturais que iniciam em bibliotecas deficientes e defasadas, passando pelo vergonhoso salário pago aos professores, e chegando aos alunos que, dependendo de suas condições familiares, possuem obstáculos a mais em seu aprendizado.

“Preparo duas aulas diferentes. Na escola particular, posso passar vídeos didáticos ou fazer uso do laboratório de informática. Enquanto na pública, não posso exigir determinados materiais porque sei que alguns pais não terão condições de comprá-los e a escola também não os dispõe”, lamenta a professora do ensino fundamental de duas escolas, uma pública e outra privada, Terezinha da Rocha.

A farmacêutica, Deise Guerin, revela que optou pela escola particular para seu filho e não a pública, próxima a sua casa inclusive, em função da segurança e qualidade de ensino. O controle de entrada e saída de pessoas, organização e limpeza além de aulas diferenciadas, foram a fórmula que Deise avaliou para escolher a escola privada para o pequeno Bruno (foto), 10 anos, que desde os seis, estuda na mesma instituição. “Uma boa educação vai além de salas de aula. É preciso muito mais, como estrutura e ferramentas, para uma boa formação”, explica Deise.

Enquanto a professora Terezinha se preocupa com a formação de todos os seus alunos, a farmacêutica Deise pensa no futuro do filho, Bruno estuda para a prova de geografia, tramita no Senado o projeto de lei voltado à educação. O projeto número 480 de 2007, de autoria do senador Cristovam Buarque, “determina a obrigatoriedade de os agentes públicos eleitos matricularem seus filhos e demais dependentes em escolas públicas até 2014”. O objetivo do senador é promover maior atenção e ações efetivas por parte dos políticos direcionados ao ensino público. Toda atuação que beneficie a educação e equilibre o ensino público e privado é esperada com urgência e a população brasileira agradece.



Texto e foto: Daiane Köhler

quarta-feira, 13 de maio de 2009

O câncer e a indústria

Ou a indústria do câncer?

"Quase um terço dos estudos sobre câncer publicados nos principais periódicos do mundo apresentam conflitos de interesse, segundo uma pesquisa publicada nesta semana na edição on-line do "Cancer". Foram avaliados 1.534 artigos divulgados em revistas como "New England Journal of Medicine", "Jama" e "Lancet" em 2006.

Desses trabalhos, 17% eram patrocinados por indústrias farmacêuticas e 12% tinham um funcionário entre os autores --e traziam mais resultados positivos. Estima-se que no Brasil os números sejam maiores porque os estudos clínicos são bancados pela indústria. "

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